quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Orgulho e Preconceito...


"A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós."

{Jane Austen}

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Escola dos Sabores...


"O momento de que Lillian mais gostava era aquele, logo antes de acender as luzes. De pé no vão da porta da cozinha, com o ar encharcado de chuva atrás de si, deixava os aromas vir até ela: a pungência do fermento fresco, o cheiro adocicado de terra do café e o odor do alho, que ficava mais suave com o passar do tempo. Por baixo deles, surgiam os toques mais suaves, difíceis de serem percebidos, de carne fresca, tomate, melão e alface lavada. Lillian respirava fundo, sentindo os cheiros se agitarem e invadirem seu corpo, ao mesmo tempo que procurava detectar algum que pudesse sugerir uma laranja podre no fundo de uma pilha ou revelar que a subchefe continuava dobrando a medida de curry nos pratos. E continuava mesmo. A moça era filha de uma amiga bastante hábil com facas, mas, em alguns dias, Lillian pensava com um suspiro, lidar com ela era como tentar ensinar um vendaval a ser sutil.
Mas era segunda-feira à noite. Nada de subchefes, nada de clientes em busca de conforto ou celebração. Era segunda-feira, noite de aula de culinária.
Após sete anos lecionando, Lillian sabia como os alunos chegariam para o primeiro dia de curso – passariam pela porta, sozinhos ou em grupos de dois ou três, formados de improviso no caminho que levava ao restaurante quase às escuras, mantendo a conversa nervosa e em voz baixa, comum entre desconhecidos que em pouco tempo iriam tocar a comida um dos outros. Uma vez na cozinha, alguns se aproximariam dos colegas, ensaiando os primeiros passos em direção a um vínculo, enquanto outros passeariam por ali, alisando com os dedos panelas de cobre ou pegando uma pimenta vermelha reluzente, como crianças atraídas pelos enfeites mais baixos de uma árvore de Natal.
Lillian adorava observar os alunos nessa hora: elementos que se tornariam mais complexos e intrigantes à medida que se misturassem uns com os outros, mas cujas essências, agora no início, claramente se distinguiam naquele ambiente pouco familiar.
{...}

O momento e o motivo seriam diferente para cada um, e era aí que estava o fascínio. Não existem dois temperos com o mesmo efeito.
A cozinha estava pronta. As compridas bancadas de aço inox se estendiam à sua frente, espaçosas e calmas no ambiente escuro.Lillian soube sem precisar olhar que Robert havia recebido a encomenda de legumes e verduras do fornecedor que só fazia entregas as segundas-feiras e que Caroline ficara vigiando o magrelo e engraçadinho Daniel até que terminasse de esfregar o piso e lavar com a mangueira, do lado de fora, os grossos tapetes pretos de borracha até ficarem reluzentes. Do outro lado da porta de vaivém, no extremo oposto da cozinha o salão de jantar estava pronto, um espaço tranqüilo, ocupados por mesas cobertas de toalhas de linho branco engomadas, com guardanapos dobrados em triângulos em cada lugar. Mas esta noite ninguém usaria o salão. Apenas a cozinha importava.
Lillian esticou os dedos uma vez, outra vez, e acendeu a luz.”

{Trecho Extraído do Livro: Escola dos Sabores – Erica Bauermeister}

Sinopse: Todos os meses, na primeira segunda-feira à noite, a cozinha do restaurante de Lillian se transforma na Escola dos Sabores. Ali, um grupo de oito alunos se reúne para aprender deliciosas receitas. Ou pelo menos é isso que esperam que aconteça.
Ainda criança, Lillian descobriu sua paixão pela culinária e o poder que a comida tem de transformar e curar a vida das pessoas. Por isso, sempre que inicia uma nova turma, ela observa os alunos atentamente, em busca de sua verdadeira motivação para estar ali.
A cada aula, ela lhes apresenta um novo desafio: nada de receitas tradicionais, com quantidades definidas e descrição do modo de preparo. Em vez disso, coloca diante deles apenas alguns ingredientes essenciais e os convida a fechar os olhos e se deixarem levar pelos sentidos.
À medida que os pratos são preparados, o grupo mergulha num mar de sensações. O cheiro delicioso de um bolo no forno remete à infância num país distante e faz lembrar os momentos mais felizes e os mais difíceis de uma união de longa data. Uma pitada de orégano no molho de macarrão traz de volta uma triste história de amor. A firmeza de um tomate maduro desperta a coragem de se libertar.
Cada tempero, aroma e textura exerce um efeito mágico diferente sobre os alunos. Com o correr dos meses, eles têm a oportunidade de olhar para dentro de si mesmos e de conhecer uns aos outros. Ao fim do curso, terão descoberto muito mais do que os segredos da cozinha: paixões, vocações e amizades.
Escola dos sabores é uma história comovente sobre o que de fato importa na vida. Você vai saborear cada capítulo e, depois de ler este livro, nunca mais fará uma refeição como antes.
Opinião: Para ser saboreado.
O livro superou minhas expectativas. Achei a história tão delicada e doce que li de uma vez só. É no curso de culinária, que acontece na segunda-feira à noite de cada mês no restaurante da chef Lillian, que oito pessoas se encontrarão para aprender a cozinhar. Cada uma delas com um motivo diferente para estar lá, cada uma com sua história, com suas dores.
À medida que as aulas se passam, vamos conhecendo cada uma das personagens e cada um deles encontrará nas refeições, no preparo cuidadoso dos alimentos, aquilo que seu coração precisa.
Um livro que fala dessa arte que requer tanta sensibilidade quanto escrever que é a culinária e que, feito mágica, consegue aquecer o coração das pessoas. Uma história que fala de amizades, de superação, de encontros e reencontros, de se descobrir outra vez depois de muito tempo. Uma história de pessoas reais, que nos presenteia com o universo encantado de uma cozinha, com seus aromas que trazem lembranças, com suas texturas que lembram sensações, com sabores que nos enchem de vida.
Livro para quem acredita no poder que os alimentos preparados com carinho têm para aproximar pessoas, curar dores da alma e aquecer corações.
Recomendo principalmente para quem gosta de fazer mágica na cozinha e aquecer corações

Editora: Sextante
Assunto: Literatura Estrangeira-Romances
ISBN: 9788599296660
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 224


Início: 02/08/2010
Término: 03/08/2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Escola dos Sabores...


"Mas a verdade é que, se vocês viverem sempre em contato com os próprios sentidos, se viverem devagar, com atenção, se usarem os olhos, os dedos e as papilas gustativas, nunca irão precisar de um cartão pra fazê-los lembrar que existe romance."

{página: 182}


Liliian, personagem de Erica Bauermeister
in Escola dos Sabores.

Escola dos Sabores...


"Lillian, o coração de cada pessoa tem seu próprio jeito de se abrir. Cada cura será diferente... mas existem coisas que todos nós precisamos. Antes de mais nada, precisamos nos sentir seguros."

{página: 25}

Abuelita, personagem de Erica Bauermeister
in Escola dos Sabores

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Escola dos Sabores...

Lendo:


Com o passar dos anos, à medida que as habilidades de Lillian foram se aprimorando, ela aprendeu outras lições culinárias inesperadas. Observou como a massa sovada de mais se transformava em pão duro que produzia humores semelhantes. Viu como biscoitos macios e quentinhos satisfaziam a uma necessidade humana diferente daquela atendida pelos biscoitos crocantes e frios. Quanto mais cozinhava, mais passava a ver os temperos como transmissores de emoções e de lembranças dos lugares de onde vinham e que haviam percorrido ao longo dos anos. Descobriu que as pessoas pareciam reagir de forma bem semelhante à que reagiam uma às outras, relaxando instintivamente como alguns, estremecendo numa espécie de rigor mortis emocional diante de outros."

{página: 16}