quinta-feira, 11 de março de 2010

Comer, Rezar,Amar...


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Eu queria que Giovanni me beijasse.

Ah, mas são tantos os motivos que fariam disso uma péssima idéia... Para começar, Giovanni é dez anos mais novo do que eu, e – como a maior parte dos rapazes italianos de vinte e poucos anos – ainda mora com a mãe. Só esses dois fatos já fazem dele um parceiro romântico improvável para mim, já que sou uma americana de trinta e poucos anos que trabalha, acaba de passar por um casamento falido e por um divórcio arrasador e interminável, imediatamente seguido por um caso de amor apaixonado que terminou com uma dolorosa ruptura. Todas essas perdas, uma atrás da outra, deixaram em mim uma sensação de tristeza e fragilidade, e a impressão de ter mais ou menos 7 mil anos de idade. Por uma simples questão de princípios, eu não imporia essa minha pessoa desanimada, derrotada e velha ao adorável, inocente Giovanni. Sem falar que eu finalmente havia chegado à idade em que uma mulher começa a questionar se a maneira mais sensata de superar a perda de um lindo rapaz de olhos castanhos é mesmo levar outro para sua cama imediatamente. É por isso que já faz muitos meses que estou sozinha. É por isso, na verdade, que decidi passar este ano inteiro sozinha.

Diante do que o observador mais arguto poderá perguntar: "Então por que você veio para a Itália?"
E tudo que posso responder – sobretudo quando olho para o belo Giovanni do outro lado da mesa – é: "Boa pergunta."
{...}

Agora é meia-noite e o tempo está enevoado, e Giovanni me acompanha até meu apartamento por aquelas ruelas de Roma que serpenteiam de forma natural em volta dos antigos prédios como pequenos riachos coleando ao redor das sombras formadas pelos densos bosques de ciprestes. Agora estamos diante da minha porta. Estamos de frente um para o outro. Ele me dá um abraço caloroso. A coisa já evoluiu; durante as primeiras semanas, ele só fazia apertar minha mão. Acho que, se eu ficasse na Itália por mais três anos, poderia até ser que ele tomasse coragem para me beijar. Por outro lado, ele poderia simplesmente me beijar agora mesmo, esta noite, aqui mesmo junto à minha porta… ainda há uma chance… quero dizer, nossos corpos estão colados sob o luar… e é claro que isso seria um erro terrível… mas mesmo assim o fato de ele poder realmente fazer isso agora é uma possibilidade tão maravilhosa… ele poder simplesmente se curvar… e… e…
Que nada.
Ele solta o abraço.
– Boa-noite, cara Liz – diz ele.
– Buona notte, caro mio – respondo. Subo as escadas até meu apartamento no quarto andar, sozinha. Entro no meu pequenino quitinete, sozinha. Fecho a porta atrás de mim. Mais uma noite solitária em Roma. Mais uma longa noite de sono pela frente, sem ninguém nem nada na minha cama a não ser uma pilha de guias de conversação e dicionários de italiano.

Estou sozinha, inteiramente sozinha, completamente sozinha.
Ao absorver essa realidade, largo minha bolsa, caio de joelhos e encosto a testa no chão. Ali, ofereço ao universo uma fervorosa oração de agradecimento.
Primeiro, em inglês.
Em seguida, em italiano.
E então – só para ter certeza – em sânscrito.

{Trecho Extraído do Livro: Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert}


Sinopse: Em torno dos 30 anos, Elizabeth Gilbert enfrentou uma crise da meia-idade precoce. Tinha tudo o que uma americana instruída e ambiciosa teoricamente poderia querer: um marido, uma casa, um projeto a dois de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, foi tomada pelo pânico, pela tristeza e pela confusão. Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado, até que se viu tomada por um sentimento de liberdade que ainda não conhecia.

Foi quando tomou uma decisão radical: livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego e partiu para uma viagem de 1 ano pelo mundo, sozinha. Comer, Rezar, Amar é a envolvente crônica desse ano. O objetivo de Gilbert era visitar três lugares onde pudesse examinar aspectos de sua própria natureza, tendo como cenário uma cultura que, tradicionalmente, fosse especialista em cada um deles.

Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano, e engordou os onze quilos mais felizes de sua vida. À Índia foi dedicada à exploração espiritual e, com a ajuda de uma guru indiana e de um caubói texano surpreendentemente sábio, embarcou em quatro meses de viagem. Em Bali, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Tornou-se discípula de um velho xamã, e também apaixonou-se da melhor maneira possível, inesperadamente.

Escrito com ironia, humor e inteligência, Comer, Rezar, Amar é um relato de auto-descoberta que fala sobre a importância de assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento e parar de viver conforme os ideais da sociedade. É um livro para qualquer um que já tenha se sentido perdido, ou pensado que deveria existir um caminho diferente, e melhor.
...

"No final das contas, porém, talvez todos devamos parar de tentar retribuir às pessoas deste mundo que apóiam nossas vidas. No final das contas, talvez seja mais sábio se render à milagrosa abrangência humana e simplesmente continuar dizendo obrigada, para sempre e com sinceridade, enquanto tivermos voz."

{página: 342}



Opinião: Iniciei  leitura mais impulsionada pelo sucesso do livro do que por vontade própria... Achei que fosse mais um desses livros de auto ajudado qual não consigo passar nem da primeira página... Ainda bem que resolvi ler... É uma leitura ótima, agradável, reflexiva e em alguns momentos bem engraçada... Gostei particularmente da meditação sugerida pelo curandeiro balinês que diza que: "Sorrir com o rosto, sorrir com a mente, e a boa energia vem ter conosco para limpar a má energia. Sorrir até com o fígado... Pode convocar a boa energia com um sorriso."

Editora: Objetiva
Assunto: Literatura Estrangeira-Romances
ISBN: 9788573028300
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 344
Início: 08/03/2010
Término: 11/03/2010

Comer, Rezar,Amar...


"... os seres humanos nascem com o mesmo potencial tanto para a contração quanto para a expansão. os ingredientes tanto da escuridão quanto da luz estão igualmente presentes em todos nós, e cabe ao individuo (ou família ou sociedade) decidir o que ira prevalecer - as virtudes ou a malevolência."

{página: 258}

"É muito fácil rezar quando se está passando por um momento difícil, mas continuar a rezar mesmo quando a sua crise já passou é como um processo de selamento, que ajuda a sua alma a se aferrar às coisas boas que conquistou."

{página: 268}

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segunda-feira, 8 de março de 2010

Comer, Rezar,Amar...


"Deus não mora em uma escritura dogmática, nem em um trono distante do céu, mas que Ele está muito perto de nos - muito mais perto do que podemos imaginar, respirando através dos nossos corações."

{página: 22}

Eizabeth Gilbert in Comer, Rezar, Amar.

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sexta-feira, 5 de março de 2010

O Senhor March...


Capítulo I

Virgínia é terreno duro
28 de outubro de 1861



Escrevo a ela nestes termos: Hoje à noite as nuvens realçavam o céu. O sol poente tingia de ouro e bronze todos os seus contornos, como se o firmamento fosse entremeado de preciosos filamentos.

Faço uma pausa para esfregar os olhos doloridos, que não param de lacrimejar. A linha que tracei talvez esteja um pouco menos do que consideraria 6na, mas não importa: ela é gentil em suas críticas. Minha mão levemente umedecida, onde percebo vestígios do líquido quase seco, treme de exaustão. Perdoe-me pela escrita sofrível. Com o exército em marcha, não encontramos espaço para reflexão ou tempo para correspondências. (Espero que minha querida jovem autora encontre tempo em meio às suas muitas boas obras para utilizar minha saleta, e que seus amigáveis ratos não se ressintam de uma curta ausência do costumeiro ninho.) Entretanto, sentado aqui, sob o abrigo de uma árvore frondosa, enquanto homens acendem fogueiras para cozinhar e contam piadas, encontro alguma paz. Escrevo na mesa dobrável que você e as meninas tiveram o carinho de me dar, e, embora tenha derramado e perdido meu estoque de tinta, não se incomode em me enviar mais. Um dos homens me mostrou uma receita engenhosa para um bom substituto desse produto, feito das últimas amoras-pretas da temporada. Graças a ele, posso lhe enviar, neste momento, palavras "amorosas"!

Você se lembra daquelas contracapas coloridas nas obras de Spenser que eu lia para vocês nas aconchegantes noites de outono, como esta? Então, minha querida, você poderá ver o céu como o vi hoje à noite, pois as cores serpenteavam o firmamento com a mesma alegre profusão.
E o sangue que se misturava à correnteza já carregada do rio, ondulado pelas botas, também formava um desenho parecido com o daquelas bonitas contracapas. Ou melhor, não é muito diferente da tinta carmim que a mão impaciente de nossa peque- na artista derramou sobre o assoalho. Porém essas palavras, claro, não escrevo. Prometi a ela que escreveria algo todos os dias, mas cumpro tal obrigação quando minha mente não está conturbada. É como se ela estivesse aqui comigo por um momento; sua mão calma, delicadamente me tocando o ombro. Dou graças, contudo, por ela não estar aqui, vendo o que eu vejo, sabendo o que vim a saber. E, mediante tal pensamento, justi6co minha censura: jamais prometi que escreveria a verdade.

Componho algumas palavras costumeiras de desejo conjugal, e prossigo com algumas concessões de ternura paterna: Penso sempre em cada uma de vocês, na sala, no escritório, em meus aposentos, no gramado; com livro ou com pena, de mãos dadas com minha querida irmã ou conversando a respeito de nosso pai, em algum lugar distante, tentando imaginar como vocês estão. Saibam que não consigo realmente deixá-las, pois, embora meu corpo esteja longe, minha mente as acompanha de perto e meu maior conforto está na afeição de vocês... Apelo, então, à premência de meus deveres, e termino com uma promessa de logo enviar mais notícias.

{Trecho Extraido do Livro: O Senhor March - Geradine Brooks}

Sinopse: Resgatando um dos personagens do clássico Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, Geraldine Brooks conta neste livro a história do senhor March, marido e pai ausente que vê seus ideais se perderem após vivenciar as sanguinolentas batalhas da Guerra Civil americana. À medida que o Norte sofre uma série de derrotas inesperadas durante o primeiro ano da guerra, o senhor March se vê obrigado a abandonar a família para defender a causa da União. Essa experiência acaba ocasionando uma mudança brusca em seu casamento e em sua vida, e desafia suas mais profundas crenças. Comovente, este romance muito bem entrelaçado adiciona uma reflexão adulta para o romance otimista de Alcott.

Para ler mais sobre o livro Clique Aqui!


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Opinião: Eu sou fã de Geraldine Brooks, esse livro nos mostra um pouco como foi a guerra civil americana e como pessoas normais, como o Sr, March um capelçao antes da guerra, as vezes tem seu lado mais negro exposto. Depois que a guerra acaba e ele volta pra casa tentando se ajustar e ajustar sua família depois de ter passado por tão dificies experiências... Achei bem comovente e muito bem escrito.

Título: Senhor March, O
Editora: Ediouro
Assunto: Literatura Estrangeira-Romances
ISBN: 9788500024177
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 304

Início: 02/03/2010
Término: 05/03/2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

O Segredo das Marés...


Prólogo

Ilhas são diferentes. Quanto menor for a ilha mais verdadeira ela é.
{...}

Existe uma antiga disputa entre os houssins e os salannais, iniciada muito tempo atrás por questões religiosas, depois por direitos de pesca, construção, comércio e, inevitavelmente, por posse de terra. Terra produtiva pertence, por lei, as que nela trabalham e os seus descendentes. É a única riqueza dos salannais. Mas La Houssinière controla a entrega de mercadorias que vem da costa (a família mais antiga de lá administra a única barca) e estabelece os preços. Se um houssin puder levar vantagem sobre um salannais, ee fará isso. Se um salannais conseguir passar a perna num houssin, toda a aldeia vibrará com esse triunfo.
{...}

1

Voltei depois de dez anos, num dia quente no final de agosto, vésperas das marés mais violentas do verão. Enquanto eu estava lá de pé, observando o Brismand 1 se aproximar do cais, a velha barca aportando em La Houssinière, dor como se nunca tivesse saído dali. Nada havia mudado, o cheiro forte no ar o píer sob os meus pés, os gritos das gaivotas no azul quente do céu. Dez anos, quase a metade da minha vida, apagados de uma só vez, como se escritos na areia. Ou quase.
Praticamente não levava nenhuma bagagem, o que intensificou a ilusão. Mas eu sempre viajei quase sem nada. Nós duas viajávamos assim, minha mãe e eu. Nunca carregávamos muito peso. e no fim eu que paguei o aluguel do nosso apartamento em Paris, trabalhando num café sujo que ficava aberto até a madrugada para complementar a venda dos quadros que minha mãe detestava tanto, enquanto ela lutava contra uma enfisema e fingia não saber que estava morrendo.
Mesmo assim eu gostaria de ter voltado rica, bem sucedida. Para mostrar para o meu pai que tínhamos vivido muito bem sem a ajuda dele.
{...}

Eu não planejava ficar. Por mais forte que fosse a ilusão de que o tempo havia passado, agora eu tinha outra vida. Eu havia mudado. Eu não era mais uma ilha.

{Trecho Extraído do Livro: O Segredo das Marés - Joanne Harris}

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Sinopse: Ao voltar para casa depois de dez anos ausentes, Mado encontra seu pai lutando contra uma estranha doença e Les Salants, sua aldeia natal, mergulhada numa crise sem precedentes. Com a ajuda de um estrangeiro envolvente e misterioso, ela elaborará um audacioso plano para mudar o destino da ilha de sua infância. Mas ao colocar suas idéias em prática, Mado descobre que a situação é muito mais complicada do que a princípio parecia. Ela precisará de toda sua generosidade, combatividade e inteligência para conseguir alcançar a salvação almejada.

Opinião: Quando Mado resolve votar para a ilha onde nasceu encontra Le Salants afundada em uma crise jamais vista. Seu pai cada vez mais perdido dentro do seu próprio mundo, e a presença misteriosa de um forasteiro.
A eterna briga entre as ilhas (Le Salants e La Houssinière), faz com que o improvável aconteça: os moradores se unem para salvar a ilha. A medida em que a maré de sorte dos aldeões vira, segredos são revelados, levando a um final surpreendente. Vale a pena a leitura!

Editora: Record
Assunto: Literatura Estrangeira-Romances
ISBN: 8532518141
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 355

Início: 22/02/2010
Término: 01/03/2010